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Corrupção volta ao centro da eleição e pode se transformar no fiel da balança em 2026

Foto do escritor: Weverton Santiago
Weverton Santiago
8 de set.
3 min de leitura

A preocupação com a corrupção salta de 14% para 20%, assume a segunda posição entre os maiores problemas do país e acrescenta uma variável perigosa a uma eleição marcada pelo empate, pela rejeição e pela disputa do eleitor independente.



A nova pesquisa Quaest (3 a 6 de setembro) trouxe um número que merece ser observado para além da fotografia eleitoral. A corrupção saltou de 14% para 20% e passou a ocupar a segunda posição entre os problemas que mais preocupam os brasileiros, atrás apenas da violência, com 31%, e praticamente empatada com a economia, que registra 19%.


Mais relevante que a posição no ranking é a velocidade da mudança: foram seis pontos percentuais em poucos dias. Às vésperas de uma eleição, um movimento dessa dimensão pode indicar que o assunto começa a ultrapassar o campo das preocupações sociais para influenciar o comportamento eleitoral.


Outro dado da Quaest reforça essa possibilidade. Questionados sobre o que mais consideram na escolha de um presidente, 31% apontaram a ausência de envolvimento em escândalos de corrupção, à frente do compromisso com a democracia, citado por 28%, e da firmeza no combate à violência e ao crime, com 15%. Quando a pergunta é invertida, o sinal fica ainda mais forte: para 40%, o envolvimento com corrupção é a principal característica capaz de fazê-los rejeitar completamente um candidato.


Há, porém, uma diferença importante entre preocupação e voto. Nem sempre aquilo que mais inquieta o eleitor determina sua escolha na urna. A economia pode preocupar, enquanto a identidade política define o voto. A segurança pode dominar o debate, mas questões ideológicas ainda podem falar mais alto.


O diferencial da corrupção está justamente na combinação dos indicadores. Além de subir entre as preocupações nacionais, ela aparece como fator relevante tanto para escolher quanto para rejeitar um candidato. É nesse ponto que a preocupação encontra o voto e ganha potencial para interferir na disputa presidencial.


Esse movimento também atravessa fronteiras ideológicas. A preocupação com a corrupção chegou a 28% entre bolsonaristas e a 28% na direita não bolsonarista. Entre independentes, avançou de 16% para 20%. Entre lulistas, de 5% para 12%. Na esquerda não lulista, de 8% para 14%. Regionalmente, alcançou 28% no Sul, 21% no Sudeste e 17% no Nordeste e no agrupamento Norte/Centro-Oeste. Embora com intensidades diferentes, o assunto já não está restrito a uma única bolha política.


É aí que surge o risco para os dois principais candidatos, que chegam à reta decisiva com bases relativamente consolidadas, mas também com rejeições elevadas. Na mesma pesquisa, Lula aparece com 36% no primeiro turno, contra 29% de Flávio. No segundo, a vantagem desaparece: 41% a 41%. A rejeição também aproxima os dois: 55% dizem não votar em Flávio e 53% rejeitam Lula.


Nesse cenário, mobilizar a própria base pode não ser suficiente. A disputa passa pela capacidade de conquistar o eleitor ainda disponível e, principalmente, de reduzir resistências fora do próprio campo. Com rejeições tão altas, ganhar novos votos importa tanto quanto não criar novas razões para perdê-los.


A corrupção pode, assim, assumir uma função diferente em 2026. Em vez de servir apenas como bandeira de um lado contra o outro, pode se transformar numa espécie de peneira eleitoral, especialmente em um ambiente no qual escândalos, investigações e suspeitas alcançam diferentes campos políticos e instituições.


Em meio aos escândalos e à crise do Caso Master, a pergunta deixa de ser apenas “quem combate ou vai combater a corrupção"? Agora, a interrogação é muito mais incômoda: “quem consegue ficar fora dela"?


Ainda é cedo para afirmar que a corrupção decidirá a eleição, mas um salto de seis pontos em poucos dias, combinado ao fato de 40% considerarem o envolvimento com corrupção, motivo suficiente para rejeitar um candidato, é um sinal que nenhuma campanha deveria ignorar.


Portanto, caso a corrupção continue avançando, a urna talvez não premie apenas quem parecer o melhor candidato, mas quem oferecer menos razões para ser rejeitado.

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