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Nova pesquisa revela os polos que podem decidir o resultado da eleição

Foto do escritor: Weverton Santiago
Weverton Santiago
há 16 minutos
4 min de leitura

Quaest mostra Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados, mas os recortes revelam onde a disputa se distancia, e onde ainda permanece aberta



A nova pesquisa Quaest acrescenta uma dimensão importante à fotografia da eleição presidencial de 2026. No segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados, com 41% e 42%, respectivamente. Contudo, quando a média nacional é desmontada por região, renda, idade, religião e perfil político, o equilíbrio desaparece em vários segmentos. O dado mais interessante da pesquisa está justamente nessa contradição: dois candidatos próximos no conjunto, mas separados por diferenças expressivas dentro do eleitorado.


É nesse cenário que ganha importância um personagem menos visível da eleição: o eleitor que ainda não consolidou completamente sua escolha. Na pesquisa espontânea divulgada anteriormente pela Quaest, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, 41% dos entrevistados não apontaram nenhum nome. Lula registrou 28% e Flávio Bolsonaro, 23%. Não significa que todo esse contingente esteja igualmente disponível a qualquer candidatura, mas revela uma parcela relevante que ainda não transformou preferência política em escolha espontânea.


O eleitor independente reforça essa leitura. Na rodada mais recente, Flávio aparece com 34%, contra 26% de Lula nesse segmento. Em uma rodada anterior, eram 32% e 28%, respectivamente. A oscilação não permite falar em migração definitiva, mas mostra um grupo cujo comportamento merece atenção justamente por possuir menor identificação com os polos tradicionais. Não se trata necessariamente de um eleitor de centro, e sim de um eleitor menos preso às tensões ideológicas.


Outro dado ajuda a entender quais questões podem atravessar essa busca por confiança. Entre os principais problemas do país, 31% apontaram a violência e 22% citaram a corrupção. A pauta anticorrupção não aparece como o tema dominante, mas permanece relevante. E talvez seu significado político seja menos moral do que administrativo: para o cidadão, corrupção pode representar dinheiro desperdiçado, obras que não avançam e serviços públicos que não entregam o que deveriam.


É nesse ponto que ética e gestão se encontram. A discussão sobre integridade pública ganha dimensão concreta quando passa a responder a uma pergunta simples: como controlar melhor os recursos para transformar dinheiro público em serviço, obra e resultado? Para um eleitor menos identificado ideologicamente, essa conexão pode ser mais importante do que a própria disputa abstrata entre esquerda e direita.


Os recortes da Quaest mostram o tamanho dessas diferenças. Entre os eleitores de 35 a 59 anos, o segundo turno está praticamente nivelado:


  • Flávio Bolsonaro: 42%

  • Lula: 41%


Na faixa de renda entre dois e cinco salários mínimos:


  • Flávio Bolsonaro: 43%

  • Lula: 38%


Entre os eleitores com 60 anos ou mais:


  • Lula: 45%

  • Flávio Bolsonaro: 39%


Na renda de até dois salários mínimos:


  • Lula: 52%

  • Flávio Bolsonaro: 30%


Acima de cinco salários mínimos:


  • Flávio Bolsonaro: 53%

  • Lula: 33%


A geografia eleitoral também revela uma disputa longe de ser uniforme. No Nordeste, Lula registra 57%, contra 31% de Flávio. No Sul, a relação se inverte, com 52% para Flávio e 30% para Lula.


No Sudeste, a distância diminuiu em relação à rodada anterior, chegando a 43% para Flávio e 36% para Lula. O empate nacional, portanto, não representa uma distribuição equilibrada das preferências pelo território.


A religião produz uma das maiores diferenças do levantamento. Entre os evangélicos, Flávio aparece com 58%, contra 28% de Lula. Entre os beneficiários do Bolsa Família, Lula registra 56%, contra 30% de Flávio. No recorte por raça/cor declarado na pesquisa, entre os eleitores pretos, Lula registra 53%, contra 26% de Flávio. O dado evidencia uma diferença importante entre segmentos do eleitorado, sem significar que esses grupos sejam politicamente homogêneos ou que a raça, isoladamente, explique a escolha do voto.


Essa fragmentação também impõe um desafio às campanhas: não confundir sensação com convencimento. As redes sociais são eficientes para mobilizar quem já possui identificação política, mas engajamento não equivale necessariamente a desconstrução ou construção segura. Um ataque pode produzir milhares de compartilhamentos e, ainda assim, não alterar a percepção de quem está fora daquela bolha.


O eleitor menos identificado com os polos tende a observar outros elementos: coerência, trajetória, propostas, capacidade de gestão e confiança. É uma diferença importante. Mobilizar a própria base significa reforçar uma escolha; ampliar uma candidatura significa oferecer razões para que alguém que ainda compara alternativas considere mudar de posição.


Por isso, segurança, saúde, educação, custo de vida, responsabilidade fiscal e combate à corrupção ganham relevância não apenas como temas de campanha, mas como testes de credibilidade e competência. A questão deixa de ser quem produz a narrativa mais forte e passa a envolver quem consegue conectar discurso e proposta a problemas concretos da vida cotidiana.


A nova Quaest não permite afirmar quais desses fatores determinarão o resultado da eleição. O que ela revela é uma disputa nacional estreita sustentada por diferenças profundas entre segmentos. O empate na média esconde eleitorados muito mais distantes quando observados separadamente, e também grupos nos quais a distância é pequena.


É nesse intervalo que a disputa pode adquirir novos contornos. As bases já identificadas continuarão importantes, mas o eleitor menos comprometido com as tensões pode exigir algo diferente da guerra permanente de narrativas: uma razão concreta para confiar.


A eleição, nesse sentido, apresenta uma equação curiosa. Quanto mais polarizada parece no debate público, mais fragmentada se mostra quando os números são examinados por dentro.


O empate aparece na média e os verdadeiros pontos de convencimento estão nos detalhes.


Weverton Santiago

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