Comunicação Política: "Lições de Donald Trump"
- Weverton Santiago

- 22 de jun.
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de jun.

As disputas eleitorais estão cada vez mais estudadas e sem espaço para o sensitismo e experimento. Na campanha eleitoral americana de 2024, a equipe de Donald Trump recorreu à técnica da pesquisa de ambiência, mapeamento social e monitoramento contínuo do comportamento da população, ferramentas que o ajudaram a traduzir o sentimento da população.
Certamente, a democrata Kamala Harris também utilizou as mesmas armas, no entanto, não conseguiu tabular e conjugar dados importantes para quem era situação e buscava remodelar a rota de um projeto confuso e que não se mostrou seguro nos últimos anos. A diferença entre ambas as leituras foi justamente o que determinou e desenhou a decisão "escatológica" do povo americano, especialmente sobre os indecisos e sobre aqueles que mudaram nas semanas precedentes.
Desta forma, apresento aos amigos leitores uma "síntese da síntese" da assertiva estratégia de Donald Trump, o que pode servir de reflexão para as eleições deste ano, onde o brasileiro vai escolher deputados, senadores, governadores e presidente da república.
Vamos analisar alguns pontos:
1) Marketing Autêntico e Resiliente: Trump não investiu radicalmente nos ataques que sofreu e não fez do "tiro de raspão" sua principal plataforma. Em vez disso, ele explorou a "perseguição jurídica" contra ele e contra seus apoiadores, transformando-a numa forte narrativa da liberdade, um sentimento considerado patrimônio dos americanos. Inteligentemente, Trump conseguiu se desvencilhar do ultrapassado sensacionalismo, mostrando que a verdade pode ser utilizada como marketing autêntico e resiliente.
2) Marketing Positivo: Enquanto metade do mundo discutia as pautas climáticas com viés apocalíptico, Trump focou no nacionalismo com promessas de fazer pulsar o protagonismo econômico dos Estados Unidos, um orgulho privativo dos americanos. Com isso, o candidato republicano buscou elevar a autoestima da população e resgatar o sentimento de liderança, perdido por seu antecessor, Joe Biden. A postura persuasiva e messiânica sobrou nas suas aparições e inserções, bem como o positivismo político do performado Donald Trump.
3) Marketing Agressivo: Donald Trump foi implacável com seus adversários e explorou a temporal fragilidade dos democratas de forma impiedosa. Nas mãos da equipe de Trump, Biden sofreu com sua inabilidade física e com a baixa aprovação do seu governo. Já Kamala Harris foi reduzida a uma "patricinha política", uma figura inexpressiva dentro do contexto geopolítico, uma liderança distante e incapaz de comandar o país diante dos desafios econômicos globais.
Donald Trump soube ser agressivo e não destemperado, mostrou firmeza e não descontrole.
4) Conexão com o Público ou Estratégia de Branding: Após mapear e descobrir o sentimento da população americana, Trump pragmatizou seu discurso e mostrou habilidade ao dialogar com diferentes públicos, como a camada mais jovem, um desafio latente para a classe política tradicional. Trump usou as redes sociais para consolidar seu nome e sua marca, não permitindo ser a "Coca-Cola" dos marqueteiros gourmet, criando conexão direta com o eleitorado que buscou conhecer cada vez mais suas ideias e propostas. Apesar da tentação de se metamorfosear, Trump preservou seu "jeitão" liberal e suas opiniões polêmicas que divergem das pautas consideradas globalistas.
Obviamente, não foram somente esses os elementos que deram a vitória a Donald Trump, ele também aproveitou o comportamento analítico da população, que vem mudando e crescendo a cada disputa, acentuando ainda mais a necessidade dos estrategistas políticos em conhecer o eleitor, seus dramas e suas respostas às diversas transformações sociais. Enquanto Kamala Harris aceitou ser a sucessão de um governo mal avaliado e depressivo, Trump provou que não tinha a menor dificuldade de ressignificar sua imagem, de refazer parte de suas composições e de apostar em novas fórmulas e formas de se comunicar.
Enfim, Trump apresentou um projeto e um ideal capaz de mover a grande nação americana, destacando que não costuma se apaixonar por problemas, como muitos políticos no Brasil.
Essas são parte das lições da comunicação estratégica de Donald Trump, uma oportunidade para quem possui espírito ensinável e perfil para recalcular sua rota, pois as eleições estão aí, à porta.
Enfim, quem tem olhos, veja e quem tem ouvidos, ouça!
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