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Entre o Gestor e o Pai: O que o eleitor espera das urnas de 2026?

Foto do escritor: Weverton Santiago
Weverton Santiago
9 de ago.
3 min de leitura

Em um cenário de fadiga institucional, ansiedade social e cobrança por resultados, a eleição poderá ser marcada pela busca de uma liderança capaz de unir eficiência administrativa, proximidade e proteção.



O Dia dos Pais oferece uma metáfora interessante para compreender uma das questões que poderão atravessar a eleição de 2026: afinal, o eleitor procura um gestor arrojado, capaz de organizar a máquina pública e entregar resultados, ou uma liderança com características de um pai, associada à proteção, à presença e ao acolhimento?


A resposta provavelmente não está na escolha entre esses dois perfis, mas na capacidade de reuni-los. Em uma sociedade marcada pela fadiga institucional e por uma relação cada vez mais exigente com o poder público, o eleitor não quer apenas saber se determinado candidato é capaz de administrar; ele também quer perceber se esse candidato compreende os problemas concretos que afetam sua vida.


Dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) ajudam a dimensionar esse ambiente. A confiança alta ou moderada no governo brasileiro passou de 26%, em 2022, para 38%, em 2025, mas permanece abaixo da média de 40% observada entre os países da organização. O movimento indica alguma recuperação, mas também revela que a confiança institucional continua sendo um ativo político disputado e limitado.


Nesse cenário, o gestor arrojado responde à necessidade de eficiência. É o perfil associado ao planejamento, ao equilíbrio das contas, às obras, aos investimentos e à melhoria dos serviços públicos. Sua força está na capacidade de transmitir a ideia de que o Estado pode funcionar e produzir resultados concretos.


O problema aparece quando a gestão é apresentada apenas por números e indicadores. Isso porque o cidadão não experimenta a política pública por meio de uma fria planilha, ele a vivencia na fila do hospital, na escola dos filhos, no transporte, na segurança do bairro, no emprego e no orçamento doméstico. A eficiência precisa, portanto, ser traduzida em benefícios que possam ser percebidos na vida cotidiana.


É nesse espaço que surge o pai acolhedor, como metáfora de uma liderança capaz de estabelecer vínculo, demonstrar empatia e transmitir a sensação de que existe alguém atento às dificuldades da população. Esse perfil pode construir identificação justamente em momentos de insegurança e desamparo. Entretanto, também encontra seu limite quando o acolhimento não é acompanhado de capacidade administrativa. Empatia não substitui gestão, assim como eficiência não substitui proximidade.


Assim, o eleitor parece caminhar justamente em direção a essa síntese. Ele quer autoridade sem arrogância, proximidade sem cinismo, eficiência sem frieza e proteção sem paternalismo. Não deseja apenas alguém que diga “eu sei fazer”, nem somente alguém que afirme “eu entendo você”. A expectativa é encontrar uma liderança capaz de transmitir as duas mensagens simultaneamente.


Contextualizando para a realidade dos capixabas, essa equação ganha características próprias, porque a diversidade entre a Região Metropolitana e o interior produz demandas distintas, mas existe uma expectativa comum de presença e capacidade de resposta do poder público. Segurança, saúde, infraestrutura, mobilidade, educação, emprego e desenvolvimento regional serão avaliados não apenas pelos discursos, mas pela percepção de que o governo consegue efetivamente interferir positivamente no dia a dia da população.


Por isso, a eleição de 2026 poderá ser também uma disputa pela confiança, não necessariamente entre o gestor e o pai, mas pela capacidade de uma liderança reunir eficiência, proximidade e credibilidade. O eleitor poderá procurar alguém capaz de transformar competência em segurança e proximidade em confiança.


No fundo, a questão não é saber se o cidadão quer um gestor arrojado ou um pai que acolha, ele quer uma liderança que saiba governar sem deixar de enxergar as pessoas que pretende representar. Mais do que escolher entre dois arquétipos, a disputa de 2026 poderá revelar quem será capaz de aproximar novamente o cidadão do universo político.


Weverton Santiago

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