POLÍTICA-ES: “As articulações que podem custar caro”
- Weverton Santiago

- 15 de jun.
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de jun.

Desde o ano passado, a disputa pelo governo do Estado entrou de vez na pauta do mercado político do Espírito Santo. Tanto a situação quanto a oposição já demonstraram que estão acampadas e em pleno vapor, e um deslize pode custar caro para qualquer um dos lados.
Se o pré-candidato Ricardo Ferraço foi precoce na decisão de dispensar o apoio do PT capixaba, o que pode ter consequências em uma eventual disputa de segundo turno, devido ao recall do Partido dos Trabalhadores, os acenos de Paulo Hartung como "cabo eleitoral" também podem ter um preço considerável para a principal oposição até o momento: o ex-prefeito da capital, Lorenzo Pazolini.
Ninguém duvida da contribuição do ex-governador na reconstrução política e administrativa do Espírito Santo com a política de responsabilidade fiscal, um equilíbrio necessário até certo ponto. Porém, parte dessa ação acabou afetando alguns investimentos e reduzindo as entregas para a população. Concomitantemente, a história passou e o seu desfecho não foi tão positivo para o grupo hartunguista. Apesar da boa largada no passado, faltou a Hartung saber o momento de chegar, o que o obrigou a ficar oito anos submerso, um hiato que a política não costuma perdoar, principalmente diante de uma polarização tão tensionada.
Paulo Hartung, um crítico calculado das gestões de Bolsonaro e de Lula, não conseguiu se encontrar no meio do atual debate. Suas tentativas de inserção no cenário nacional não atingiram seus objetivos, restando a ele a nômade apresentação de seu novo livro, “Política em Tempos de Grandes Mudanças”. A obra reúne artigos que debatem os desafios estruturais, governança, democracia e o desenvolvimento do Brasil frente ao cenário global, temas que, por ora, não estão no radar de prioridades do eleitorado primário, o que pode distanciar ainda mais o universo hartunguista dos verdadeiros anseios e dramas do cidadão comum.
Destarte, os flertes do ex-governador podem vir acompanhados do ônus de uma gestão que passou e ganha cada vez mais contornos anacrônicos. Conforme os traços dos capítulos da disputa eleitoral são revelados, parece que, neste momento, Pazolini não precisa de Paulo Hartung. Muito pelo contrário: o ex-prefeito de Vitória já demonstrou ser competitivo, ter tamanho e luz própria para disputar o governo do Estado.
Sendo assim, na atual conjuntura, talvez seja o ex-governador quem precise de um trampolim atualizado para ressuscitar as lembranças de sua passagem pelo Palácio Anchieta, vendo em Pazolini a anatomia perfeita para atrair novamente os holofotes da política capixaba.
Enfim, as articulações estão acontecendo e podem colocar ambos os postulantes no abismo das sensações ou no cume das possibilidades, um preço caro para quem não conhece o custo da necessária reflexão.
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