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Quem encontrará a narrativa?

Foto do escritor: Weverton Santiago
Weverton Santiago
25 de jun.
2 min de leitura

Em um país politicamente polarizado e com o denuncismo em baixa, a corrida por uma narrativa convincente é o primeiro degrau da pré-campanha.



Houve um tempo em que uma reportagem bem-elaborada e com traços de alarmismo era o suficiente para provocar uma convulsão política e gerar profunda indignação social. Quem não se lembra do caso PC Farias (1992), tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor de Mello, dos anões do orçamento (1993) e de tantos outros episódios emblemáticos que marcaram a história política recente do Brasil?


Na verdade, a fadiga de desconstruir a imagem do adversário faz parte da cultura política e do suspense que acompanha cada processo eleitoral, no qual os fatos sempre colocam o candidato A ou B no mundo das sensações, uma mescla de mentiras e verdades. Nesse jogo de acusações trocadas, as discussões sobre pautas importantes, como saúde, educação e segurança, tornam-se secundárias, principalmente o fator econômico, ponto que realmente mexe com o bolso do trabalhador e pode comprometer o real crescimento e desenvolvimento do país.


Contudo, o denuncismo vem perdendo força nas últimas eleições e seus efeitos já não são tão garantidos como outrora, sobretudo quando falta substância e quando a pauta da corrupção se torna algo banal, um mal generalizado e que não tem lado. Esse fenômeno ambidestro, que carrega várias digitais, parece ter cansado o eleitor brasileiro, que agora aguarda transformações no núcleo político e uma verdadeira capacidade de mudança vinda da própria sociedade que permanece receosa com as rupturas mais profundas e continua apostando no eixo tradicional político, por considerá-lo seguro.


Diante desse quadro, muitas narrativas são criadas a todo momento, um jogo de clichês que atrai os "caçadores de borboletas", mas que não constrói uma base sólida para o embate político. Aliado a isso, o volume de narrativas hospedadas nas redes sociais sobe meteoricamente, mas também desce na velocidade da luz. Trata-se de uma dopamina tão viciante e alucinógena que esconde a real intenção e a razão de ambos os projetos políticos, uma perda irreparável de forma e de fórmulas que poderiam enriquecer e diversificar suas propostas.


Enquanto isso, a importante pauta eleitoral vai se tornando um assunto desinteressante para quem está fora do anel das "facções políticas". O Brasil real, que frequenta o supermercado, pega ônibus e tenta empreender, ainda não foi seduzido pela canção que atinja sua "sedenta" audição e está longe de ser conquistado pelas farpas da mídia tradicional, que já não serve mais de "bússola emocional" para boa parte do eleitorado, desencantado com a política e que aguarda uma genuína reespiritualização do debate, e não uma simplória renovação de semblantes.


Quem encontrará a empática narrativa, a cotidiana melodia? Essa pergunta é difícil de responder. Porém, o nível de dificuldade pode aumentar significativamente para quem subestima a ciência, menospreza as pesquisas autênticas e, imprudentemente, descansa nas águas tranquilas do poder. A sensação é de que ninguém está perto de encontrar o discurso capaz de mover o coração dos brasileiros e de despertar uma nova esperança.


Enfim, muitas vozes, pouca canção, muitos ruídos, pouca reflexão! Essa é a política brasileira.

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