Tatu em cima do toco: "Estética vs. Compreensão"
- Weverton Santiago

- 1 de abr.
- 1 min de leitura
Atualizado: 23 de jun.

A frase "tatu em cima do toco" é uma expressão folclórica popularizada no cenário político por Ciro Gomes. Ela serve para ilustrar uma situação onde algo está obviamente fora do lugar, uma anomalia visível aos olhos, mas que exige interpretação.
No debate sobre engajamento, a frase carrega um impacto regional poderoso, enraizada no imaginário do sertão e no contexto interiorano. Contudo, sua eficácia diminui quando atinge eleitores distantes dessa realidade. Para quem não conhece os hábitos do animal ou o cenário descrito, a metáfora se esvazia e pode ganhar ares desconexos.
Da mesma forma, quando a comunicação falha na arte de se fazer entender, ocorre um fracasso que abrange a transmissão, tradução e compreensão. Esse é um erro recorrente entre comunicadores que priorizam a estética em detrimento do conteúdo. O resultado é uma espécie de "microcefalia" no corpo comunicativo, que possui estrutura, traços simpáticos e sonoridade agradável aos ouvidos, mas que não se climatiza nem gera familiaridade para quem recebe e observa.
É a predominância da sensação sobre a reflexão. O mesmo fenômeno acontece com quem aprecia uma música em outra língua, encantando-se pelo ritmo e pela melodia, mas permanecendo incomunicável ao que, de fato, está sendo cantado ou falado.
Portanto, comunicação eficaz não deve apenas ser ouvida, mas sim assimilada. De nada adianta a plasticidade das palavras ou o carisma das expressões se o objetivo principal não garantir que o "tatu" não seja apenas uma imagem curiosa, mas um símbolo cujo significado seja plenamente entendido, acolhido e compartilhado pelo público final.
É a velha briga da estética e do conteúdo, onde tatu e toco precisam ter utilidades e sentidos práticos.
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